(Atualizado em 24 de Agosto de 2012.)
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JUNHO.
Passadas duas semanas, nada de relevante aconteceu em relação à evolução tecnológica. Talvez a Singularidade tenha acabado e, assim, a tecnologia não tenha mais para onde evoluir, pensou Marco. Ou talvez a tecnologia precise parar de evoluir antes que surja algo ainda mais avançado.
— Marco, eu não te perguntei isso antes mas… — começou Joanne — Por que você destruiu todo o seu quarto? — perguntou.
— Não foi todo o quarto, — Eles estavam na praça, embora Marco não se sentisse tão bem quanto antes, naquele lugar. Os robôs, ou androides, apagaram a beleza dali. Será que o mundo todo estava assim? Ou será que os androides tomaram conta somente naquela cidade? Marco não havia pensado nisso antes. — foram apenas os aparelhos eletrônicos. Toda essa tecnologia… Não pertence a esse tempo, mas ao futuro. No entanto ela está aqui, ela veio parar aqui de algum jeito. Algo está errado. Muito, muito errado.
— Com você, Marco. Algo está errado com você. Você está se ouvindo? O que está dizendo é loucura.
— Você não precisa acreditar para que seja verdade. Olhe à sua volta, Joanne. Onde estão as pessoas? Onde!? Você vê algo que não sejam robôs!? — ele estava gritando e, quando notou, fez silêncio por uns segundos, e falou em voz baixa: — Parece até que nós somos as únicas pessoas no mundo… algo está errado, tem que estar errado. Eu não posso aceitar que isso seja o certo.
— Nós? Você e eu?
— Você, eu e Ed. — Disse Marco, e repetiu: — Parece até que nós somos as únicas pessoas no mundo.
***
— Interessante… — falou Marco, sozinho, diante do resultado de suas pesquisas. Era impressionante o tipo de informações que agora poderiam ser obtidas com uma busca simples pela “nova” internet. Certamente, se quisesse obter os mesmos resultados há sete meses atrás, teria gastado semanas; isto é, se fosse possível. No entanto, apenas uma hora bastou. Ele conseguiu descobrir que as pessoas quase pararam de ler material impresso, fossem livros, revistas ou jornais, ou até mesmo – pensou Marco, rindo da ideia – cardápios.
Tudo o que as pessoas queriam ler, liam on-line. Blogs de conteúdo pretensamente literário tornaram-se algumas das mais visitadas páginas da internet, nomes antes anônimos ficaram famosos ou, pelo menos, conhecidos pela maioria.
Tentando entender como era possível as pessoas passarem a ler mais ao mesmo tempo em que largavam os livros, Marco resolveu dar uma olhada por alguns destes blogs. “Como as pessoas conseguem ler este lixo?” foi o pensamento despertado por cada um dos textos que leu.
***
— Eu já disse o quanto o que você vem falando parece loucura?
— Já, Joanne. — Marco respondeu — Várias vezes.
— Mas parece que você não entendeu. E seu eu disser desse jeito?… — Joanne agarrou os ombros de Marco, olhou em seus olhos e, enquanto o sacudia, gritou: — Você está enlouquecendo!!
Marco não reagiu, o que apenas a deixou mais preocupada. Quando ela finalmente soltou seus ombros, sem deixar de olhá-lo fixamente, ele falou:
— Joanne, olhe ao seu redor. Por favor, olhe! O que você vê, hein!? Carros voadores, androides, terminais de teletransporte! Teletransporte, Joanne, teletransporte!! — Exclamou, expressando o quão absurdo lhe parecia o fato, e depois disse: — Estão começando a manipular as pessoas como fossem marionetes. E estão usando a hiper tecnologia para isso.
— Que está fazendo isso, Marco? Quem está manipulando as pessoas?
— Eu não sei quem são eles. Só sei que estão fazendo isso.
— Você está pirando, Marco.
— Não estou, não. Estes textos na internet… Nada explica porque todo mundo está tão viciado neles. A menos que haja alguma coisa neles para, não sei… controlar a mente das pessoas.
Joanne não conseguiu deixar de rir – gargalhar, na verdade – dessa afirmação. Quando parou de rir ela disse:
— Se você disser isso perto de um psiquiatra, vai parar numa camisa de força.
— Isso não é piada, Jo. Eu estou falando sério. Tenho certeza de que tem alguma coisa muito errada acontecendo. — ficou em silêncio por um tempo, observou os robôs passeando, pensou sobre as cidades em Marte; e depois concluiu: — Se tem alguém que está enlouquecendo, é o mundo.
—
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-Comentários do Autor-
De todas as partes desse conto esta é, digamos, a minha "menos favorita". Compensarei isso na próxima.
De qualquer forma, eu acredito que, apesar dessa demora colossal, eu vou terminar esse conto antes do ano acabar.