(Atualizado em 24 de Agosto de 2012.)
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OUTUBRO.
As ruas da cidade se esvaziaram mais uma vez. E, desta vez, nem mesmo os androides as ocupavam.
Não era fácil dizer o que fazia com que as pessoas se isolassem do mundo em suas casas, depois voltassem para as ruas, e logo se isolassem novamente. Mas Marco, que nunca deixava de acompanhar o desenvolvimento da hiper tecnologia pela internet, achou ter visto o padrão.
Quando uma nova tecnologia aparecia, as pessoas ficavam em casa. Uma ou duas semanas depois, elas saíam; até surgir outra tecnologia. Porém haviam momentos que não condiziam com o padrão, como no começo do ano, com o Dreamulator.
Dreamulator. Ninguém mais se lembrava que isso existiu.
É claro que não. Havia algo muito mais interessante agora. A recém-criada holovisão.
***
Não foi a holovisão, no entanto, que fez com que se trancassem para, aparentemente, nunca mais saírem. Quando chegou o tempo em que Marco imaginou que as ruas seriam novamente ocupadas, aconteceu algo que aterrorizou toda humanidade.
Era o ápice da viagens espaciais. Existiam tantas naves construídas por seres humanos espalhadas pelo universo que elas carregavam 4,5 dos 7,5 bilhões de pessoas que vivem hoje, com o objetivo de colonizarem planetas até então desconhecidos.
Mas quase todas estas naves desapareceram.
Como isso aconteceu, ninguém sabe. Mas agora todos estão apavorados demais para saírem de casa. Para muitos o desaparecimento das naves parece uma prova irrefutável de existem alienígenas que querem destruir a raça humana de uma vez por todas, e quem tentar sair de casa será abduzido no instante em que colocar um pé do lado de fora.
Os cientistas, por outro lado, acreditam que pode ter havido alguma instabilidade no hiperespaço que transportou as naves para um universo paralelo, e logo eles descobrirão uma forma de trazê-las de volta.
No entanto surgiu um grande problema com isso. Os recursos dos habitantes de outros planetas vêm da Terra. E enquanto as naves não forem encontradas, todas as viagens hiperespaciais estão suspensas. Em pouco tempo estes planetas poderão ficar sem recursos, causando a inevitável morte de toda sua população. Neste caso os únicos sobreviventes seriam os habitantes da Terra, da Lua e de Marte.
Marco não sabia se devia confiar no que diziam os cientistas ou se devia acreditar na ideia de que era um ataque alienígena que havia se espalhado pela população aparentemente sem motivo. Mas sabia de uma coisa:
Ele não ia ficar trancado dentro de casa.
Andou pelas ruas vazias, pensando sobre tudo o que estava acontecendo. Por que ele não conseguia descobrir o que estava de errado? Ele tinha a sensação de que devia saber o que era, mas não importava o que fizesse, ele era incapaz de dizer o quê.
Chegou à praça. Nenhum sinal de vida além das árvores. Sentou-se no banco, e ficou olhando para o céu por mais tempo do que imaginou que seria capaz.
***
— Ei, Marco! — alguém gritou — Marco!! — gritou novamente, mais alto.
Ele abriu os olhos. Era Joanne.
— Ahn, o quê? O que aconteceu?
— Você estava dormindo neste banco — Ed respondeu. Marco não havia percebido que ele estava lá até então.
Marco se sentou.
— Que estranho… eu achei que tinha voltado para casa. Não, na verdade eu tinha certeza. — ele sacudiu a cabeça e suspirou — De qualquer forma… imagino que vocês sabem do desastre espacial que acaba de acontecer.
— Sim, sabemos, — disse Joanne — mais da metade das pessoas pelo universo estavam naquelas naves. É terrível.
— Sabe uma coisa curiosa? Eu só percebi o quanto a população da Terra estava diminuindo por causa disso. Eu sabia que muitas pessoas estavam em outros planetas, especialmente em Marte. É verdade que nossa população é superior a sete bilhões e meio. Mas já faz um tempo que, aqui na Terra, a população é só um pouco mais de um bilhão. E só parou de diminuir por causa desse desastre. Como eu deixei isso passar?
— Você não acha que se você tivesse percebido, poderia ter feito alguma coisa, acha? — Joanne perguntou.
— Eu não sei… Mas eu não consigo acreditar que eu fui tão cego. — e deu um suspiro — Eu queria saber o que está acontecendo.
***
Faltando três dias para acabar o mês, uma das naves desaparecidas reapareceu. Uma cientista que trabalhava na nave explicou que ninguém havia percebido o que aconteceu, até que algumas naves começaram a desembarcar em Marte e na Lua, e perceberem que não havia nenhum sinal de vida. O planeta Hipnos também estava vazio.
Esta cientista percebeu que estava em um universo paralelo devido a uma falha de estabilidade no hiperespaço e descobriu, sozinha, uma forma de voltar. Aos poucos, as outras naves foram sendo trazidas de volta, num processo que seria concluído na primeira metade do mês seguinte.
—
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-Comentários do Autor-
Yay! Parte nove!
Como vocês devem ter previsto, a décima parte já está pronta, o que significa que só falta uma parte a ser escrita. Além disso, a última será bem mais curta do que eu imaginava, pois eu cheguei perto do fim mais rápido do que o esperado; então a última parte, que era para ser a mais longa de todas, pode acabar sendo a mais curta.
A princípio, eu não queria usar a palavra holovisão, porque ela já é usada com significados diferentes do significado que eu usei. Mas é uma palavra boa demais para não se usar.
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