(Atualizado em 24 de Agosto de 2012.)
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SETEMBRO.
Joanne acordou com o barulho de seu celular. Havia recebido uma mensagem que dizia apenas “Praça. Agora.”.
Sem se preocupar em observar quem lhe havia enviado a mensagem – presumindo que era Ed –, Joanne se vestiu e saiu de casa. Foi à praça andando.
Quando, há poucos metros do local, ela viu um rapaz sentado no banco, ela não conseguiu acreditar; convenceu-se de que era algum tipo de ilusão. Porém à medida que se aproximava, a ideia de uma ilusão se dissipava, e as lágrimas – não de tristeza, mas de algum outro sentimento; mas qual? – começavam a encher-lhe os olhos.
— Marco… — soluçou.
Ela estava atrás do banco, e Marco girou a cabeça até que pudesse vê-la, no exato momento em que o punho da garota o atingiu no maxilar. Raiva, claro.
— Como você pôde fazer isso comigo!?!? — vociferou — Desaparecer sem deixar nenhum aviso! — e seu tom de voz baixou: — Como você pôde ser tão irresponsável? — caiu de joelhos, e cobriu os olhos, chorando — Eu fiquei tão preocupada… eu…
Por alguns segundos, Marco não soube o que fazer; talvez a dor no queixo tenha bagunçado um pouco o seu cérebro. Então ele deu a volta no banco e a abraçou, e não largou enquanto ela não parou de chorar.
***
— Então você também leu sobre o tal de AR-HID — disse Marco; eles estavam agora sentados no banco, olhando para as ruas povoadas por robôs e humanos. Mais robôs do que humanos; muito mais. — Como você se sentiu quando leu?
— Eu não sei ao certo — ela respondeu —, senti náuseas. Um pouco de medo, talvez.
— É, eu também. E eu li muitas outras coisas que me deixaram bastante perturbado. Há mais de um mês eu mostrei a Ed um aparelho chamado BranXtractor, e pouco tempo depois, eu vi o que as pessoas andam fazendo com ele. Elas andam publicando dezenas, talvez centenas de imagens, sons, vídeos e textos gerados diretamente de suas mentes. Você consegue entender o quão terrível é isso?
— Não tenho certeza. Mas de alguma forma eu sinto que seja algo muito ruim. Todas estas coisas que sempre te incomodaram, Marco, começaram a me incomodar recentemente.
— As pessoas estão colocando seus cérebros na internet, Jo. Estão literalmente dizendo “ei, que tal dar uma boa olhada em tudo que se passa na minha cabeça?”. É verdade que o que chamam de ruído só pode, em teoria, ser entendido pela mesma pessoa de quem a mente foi “extraída”. Mas, e quanto aos cientistas que criaram esta tecnologia, hein? Você não acha que eles devem ser capazes de decodificar este tal ruído?
— Meu deus!… — disse Joanne, pela primeira vez entendendo tudo o que Marco dizia, sem ficar confusa ou achar que ele estava ficando biruta.
— Você se lembra quando eu falei sobre as pessoas estarem lendo muitos textos na internet, sem nenhum motivo razoável? E disse que era um sinal de que algo estranho estava acontecendo?
— Eu me lembro, sim. E também me lembro de ter dito que era loucura. Não parece loucura agora.
— Eu continuei verificando isto — Marco falou — Vasculhei por informações por toda a internet. Você não vai acreditar no que eu descobri — ele esperou que Joanne dissesse alguma coisa, mas ela permaneceu em silêncio — Rastreei a atividade na internet de pelo menos 30 destas pessoas que andam expondo sua mente de forma indiscriminada pela rede. Todos eram leitores dos mesmos textos dos quais falei no passado. Todos eles.
***
Vida extraterrestre.
Nenhuma vida inteligente, ainda. Mas foi encontrado um planeta em um sistema estelar semelhante ao sistema em que a Terra se encontra, onde há uma vida incrivelmente familiar. O seres que viviam naquele planeta, que recebeu o nome de Hipnos – o deus grego do sono –, podiam ser facilmente classificados de acordo com os mesmos padrões já usados no planeta natal dos humanos.
Haviam animais que possuíam uma semelhança marcante com as aves mas que, curiosamente, não tinham asas. Os seres que voavam eram todos tipos de mamíferos. E formas de vida fixas ao solo e espalhadas por toda parte, as plantas daquele planeta, possuíam estruturas semelhantes a folhas, porém de cor quase sempre azulada. Hipnos parecia muito com uma Terra alternativa em que a evolução tivesse tomado algumas “decisões” diferentes.
Não demorou muito para que a carne daqueles animais e os frutos daquelas plantas virassem comida para os seres humanos. Entretanto, essa comida jamais chegou à Terra, sendo exclusiva dos cidadãos de Marte, e tornando-se o alimento padrão de todo aquele planeta.
***
— Eu não sei todos os detalhes, — disse Marco — mas ninguém sequer pensou em analisar os níveis de radiatividade de Hipnos. Agora todo o planeta Marte está contaminado e sua população, por causa disso, foi totalmente isolada do resto do universo.
— É meio estranho dizer isso, “isolada do resto do universo”. É difícil conseguir absorver a ideia de pessoas vivendo em outros planetas. Em outras galáxias — respondeu Joanne.
— Engraçado, — disse Ed. Os três estavam em sua casa, Marco e Joanne sentados no mesmo sofá na sala de estar, enquanto ele instalava a holovisão que havia acabado de comprar — eu sempre me senti muito confortável com a hiper tecnologia, sabe? Como se antes dela houvesse algo faltando no mundo. — Ed olhou para o objeto cúbico que segurava entre o indicador e o polegar, tão pequeno quando a unha de seu dedo mínimo, como quem estivesse tentando descobrir o que era aquilo — Mas depois de ouvir essa história, essa coisa toda está começando a me assustar. — ele colocou o cubo no objeto metálico em sua cabeça que tinha alguma semelhança com uma coroa – é claro, aquele cubo era o controle telepático da holovisão. — Quem diria que as primeiras formas de vida extraterrestre que encontraríamos seriam radiativas?
Uma imagem tridimensional se formou e preencheu a metade da sala mais próxima da holovisão. Um paciente sobre uma cama de hospital, um médico o diagnosticando com alguma doença de nome quase impronunciável. Era impossível distinguir os personagens fictícios da realidade.
Ed se sentou na ponta vaga do sofá, do lado esquerdo de Marco, que disse:
— Eu diria. Aprendi a sempre esperar pelo pior.
***
O acidente radiativo de Marte matou quase metade da população do planeta e deixou todos os sobreviventes contaminados. Este acidente também antecipou o surgimento de uma nova tecnologia: a criogenização.
As primeiras pessoas a serem congeladas foram 80% da população restante de Marte, para permanecerem neste estado até que fosse descoberta uma forma de reverter os efeitos da radiatividade. Os outros 20% – correspondentes aos que sofreram menos com a contaminação – só poderiam ser congelados semanas mais tarde.
As próximas pessoas a serem congeladas teriam de pagar uma fortuna pelo serviço – especialmente devido ao prejuízo causado com o congelamento dos 900 milhões de pessoas que viviam no planeta vermelho.
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-Comentários do Autor-
Wow! Estamos bem pertinho do fim agora! São mais três partes para postar aqui, das quais uma e meia já estão escritas.
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