24 de janeiro de 2012

Dois Mil e Treze – Parte VI

(Atualizado em 24 de Agosto de 2012.)

Clique aqui para ler a parte V.

JULHO.

— Então, um extrator de informações mentais? — Ed perguntou, sem tirar os olhos do capacete em suas mãos. Era muito parecido com um Dreamulator, exceto pela caixa preta anexada à parte superior. — Mas isso é loucura!

— Dentro das condições em que nós estamos vivendo, era até esperado. — disse Marco — A tecnologia de leitura de mentes já existe a algum tempo, e até fico surpreso que o BranXtractor não exista a mais tempo.

BranXtractor possui a tecnologia mais avançada existente, quando se fala em extrair informações da mente das pessoas.

Concentre-se em uma imagem, palavras, ou sons. Tudo em que você pensar será gravado em um cartão de memória.

— Por que você comprou um desses? Achei que você tivesse aversão aos aparelhos de hiper tecnologia.

— Não é aversão. É só uma… — Marco deu uma pausa, procurando pela palavra certa — antipatia. De qualquer forma, eu precisava comprar um desses para acreditar.

— Entendo. Acho que ninguém poderia acreditar nisso sem ver pessoalmente. Mas eu ainda não vi — Ed colocou então o capacete, e fechou os olhos por alguns segundos, até que se ouviu um som de bip do aparelho. — Então, como é que eu vejo a imagem?

Marco apertou um botão sobre o capacete na cabeça de Ed, e a caixa preta sobre ele expeliu uma folha com a imagem impressa.

— Ah! — exclamou Ed — É como uma câmera polaroide.

— Na verdade a impressão é opcional, você também poderia transferir a imagem para um computador, ou visualizá-la pela tela do aparelho.

A folha ficou ali no chão por alguns segundos, antes que Marco dissesse:

— Hã… você não vai pegar a folha para dar uma olhada?

Ed respondeu, ao mesmo tempo em que recolhia a folha do chão:

— Eu já sei o que está aí, e você não. Eu esperava que você quisesse olhar prime…

Ed ficou olhando para a imagem, atônito, sem mover um músculo. A quantidade de detalhes era incrível. Não só a imagem em que havia se concentrado se encontrava lá, mas inúmeros outros pensamentos estavam lá, em imagens superpostas; incluindo alguns dos quais nem se lembrava de ter pensado.

— Surpreendente, não? — disse Marco — Tudo em que você pensou enquanto usava o BranXtractor foi registrado, isso se chama ruído. Demora um pouco para que o aparelho aprenda a filtrar apenas o pensamento no qual seu usuário está se concentrando. A melhor parte é que, se eu olhar essas imagens, eu não vou entender.

— Mas por quê? Ela parece bem clara para mim.

— Os pensamentos são seus, não meus. É provável que eu compreenda uma imagem ou outra, no meio dessa bagunça, mas só você é capaz de entender tudo até que o aparelho comece a extrair apenas imagens sem ruído da sua mente.

— Mas ele não está configurado para a sua mente?

— Oh, isso não é necessário. Ele é capaz de identificar o usuário a partir dos pensamentos, e se configurar de forma automática.

— Isso é… assustador.

“É, sim”, Marco pensou, “Assim como toda hiper tecnologia”.

***

O hiperespaço foi descoberto. Cientistas estavam executando experiências em que quantidades significativas de matéria eram aceleradas quase à velocidade da luz, quando perceberam que era possível fazê-las cessar o movimento dentro de um intervalo de tempo dezenas de vezes menor que um nanosegundo. Quando isto era feito, a matéria que era paralisada desaparecia, e não se sabia aonde ela ia parar. Um transmissor de rádio passou pelo experimento, e os cientistas continuaram recebendo mensagens dele, mostrando que o mesmo não havia deixado de existir, mas estava em algum lugar.

Na terceira semana do mês, a tecnologia já estava sendo usada em naves espaciais. O hiperespaço é como um espelho do universo, porém não é feito de matéria e algumas leis da física não parecem funcionar, de forma que as naves se movem muito mais rápido que a luz.

Por incrível que pareça, os cientistas não fazem a menor ideia de como isso é possível. Algumas pessoas desconfiam disso, mas os homens que fizeram a descoberta sempre explicam que, às vezes, a humanidade encontra e até controla coisas que não é capaz de entender por completo; os homens que descobriram o fogo não entendiam nada sobre combustão e, ainda assim, aprenderam manipulá-lo.

Graças a essa descoberta, colônias foram formadas em planetas por todo o universo, e os cientistas esperavam descobrir vida extraterrestre em breve.

E Marco encontrou motivos para alimentar sua paranoia.

Clique aqui para ler a parte VII.

-Comentários do Autor-
Agora que eu finalmente postei essa parte, tem uma coisa que eu tenho que dizer sobre este conto: eu o estou escrevendo sem fazer nenhum tipo de revisão. Eu escrevo e pronto, nem leio o que escrevi (a menos que eu precise me lembrar de algum detalhe da história). Isso é uma coisa que eu não deveria fazer, porque o jeito "certo" é publicar tudo depois da revisão e tal, mas eu achei que valia a pena experimentar. Além disso, eu queria explicar porque o texto é tão pior do que o resto.

Quando eu terminar de escrever, eu provavelmente vou revisar tudo de uma vez, e postar no Scribd.

14 de janeiro de 2012

Rupert

Rupert, meu irmão mais novo, não era um menino como os outros. Percebemos o quanto ele era inteligente cedo. Pouco antes de fazer seis anos, ele falava de coisas que só se esperaria ouvir de adultos. Ele solucionava com facilidade problemas de matemática que viriam a me dar dores de cabeça no ensino médio. É possível que você ache que eu estou exagerando ao dizer isto, mas eu acredito que nem mesmo Einstein era como Rupert foi.

Ao mesmo tempo em que começou a mostrar sua inteligência excepcional, Rupert também apresentou uma capacidade artística incrível, fazendo recortes de papel. Na primeira vez, ele simplesmente apareceu na sala de estar, com um pedaço de papel recortado em um formato que parecia a silhueta de nossa mãe. Ele parou diante dela e disse: “olhe só, mamãe, eu fiz você”.

Ele não precisava ter dito.

Eu entendo se você não acreditar em mim, mas o recorte era tão elaborado que qualquer um teria reconhecido nele nossa mãe imediatamente. Era possível até mesmo dizer qual era seu penteado e que roupa vestia. Eu adoraria poder lhe mostrar uma foto daquele pedaço de papel, mas ele já não existe mais há anos. Tente agora imaginar a expressão de espanto no rosto da mãe; porque eu jamais conseguiria descrever.

Em poucas semanas, Rupert começou a passar muito tempo no quarto, fazendo recortes e mais recortes. Ele criou um mundo inteiro assim. Ele definiu a geografia daquele mundo, o clima de cada área, e as dezesseis estações do ano – era um sistema muito complexo, em que um planeta orbitava uma estrela que orbitava outra estrela. Passava horas recortando os habitantes do planeta, definindo sua cultura de acordo com o lugar em que viviam, elaborando os aspectos particulares dos idiomas falados em cada lugar. Era como o mundo real, em muitos aspectos.

A primeira coisa que eu aprendi sobre o mundo que ele estava criando foi que nada é como parece. Ele me mostrou os caubóis amarelos: todos recortados em papel azul – sim, azul; Rupert explicou que eles tinham a pele azul por causa do que se come no deserto. Além disso, eles não eram caubóis, mas apenas gostavam de chamar assim a si próprios.

Contradições como esta estavam presentes por toda parte no mundo que meu irmão criou. Ele me falou das árvores altas que eram, na verdade, as mais baixas que existiam. Havia a Floresta Alta, só com árvores deste tipo – esta floresta ficava abaixo do nível do mar. Existia um povo cujo nome era, se me lembro bem, Tritões do Topo da Montanha. Preciso dizer que eles viviam ao nível do mar? Bem, na verdade eles viviam no mar, pois eram tritões de verdade. Viviam, pelo menos, relativamente próximos a montanhas.

Rupert sempre recortou apenas os personagens que viviam naquele mundo, e gostava de deixar o cenário para a sua imaginação. Mas houve um dia em que eu entrei no porão e, quando vi o chão, esqueci completamente o motivo de ter ido até alí. A maior parte do chão estava coberta de recortes de papel, formando todo um cenário de um mundo inteiro incrivelmente detalhado. Papeis sobrepondo papeis sobrepondo papeis formavam os relevos no solo; as pessoas estavam por toda a parte, presas ao chão por abas que Rupert havia colado a seus pés, assim como as inúmeras árvores formando densas florestas.

Logo reconheci o Deserto Cinzento, com sua areia alaranjada – na verdade era terra, Rupert explicou – onde viviam os caubóis amarelos, com sua cor azul que se destacava do solo. Pouco mais da metade da área coberta de papel era de um vermelho escuro – o mar. Haviam recortes de papel pendurados no teto por fios tão finos que não se viam. Claro, eram as aves que voavam pelos céus daquele mundo: os pinguins. É impossível para mim descrever o quão incrível tudo aquilo era. É uma pena que tudo que eu tenho destas coisas sejam apenas lembranças.

Em poucos dias eu comecei a passar a maior parte do tempo no porão, com Rupert. Eu observava enquanto ele fazia os recortes, e me explicando cada vez mais detalhes sobre aquele mundo, contando histórias sobre as pessoas que viviam ali.

Vou lhes contar um segredo: Esta é a minha primeira história não fictícia – digo isto mesmo sabendo que poucos ainda acreditarão quando chegarem ao fim –, porém todos os livros que eu lancei e que fizeram algum sucesso surgiram aqui. Rupert não escreveu os meus livros, eu escrevi. Todas as histórias que eu escrevi até então são criações minhas, sem dúvida. Mas se não fosse por Rupert e o mundo maravilhoso que ele criou e mostrou para mim, eu jamais teria me tornado escritor.

Por passar tanto tempo no porão com Rupert, eu comecei a ir muito mal na escola, ao ponto de meus pais acabarem me proibindo de descer ali. Foi o que fez com que eu começasse a escrever – eu precisava de algum mundo para mim que não fosse o mundo real.

Claro que eu não fiquei completamente separado do mundo que meu irmão criou, e não só por causa das minhas histórias. Rupert passou a vir ao meu quarto de vez em quando, para me mostrar recortes e contar sobre a história que ia se desenvolvendo em seu mundo. E as coisas ruins começaram a acontecer.

Toda a vida no mundo que Rupert criou começou a se degradar, ele me contou. Uma doença terrível se espalhou por toda parte, afetando todos os seres vivos. Os principais sintomas eram o apodrecimento de toda a carne e manchas escuras na pele. As árvores ficavam todas retorcidas, perderam quase todas as folhas (as que permanceram adquiriram uma coloração roxa e cinzenta) e adquiriram um cheiro putrefato.

Você deve pensar que isto não pode ser uma coisa tão ruim, afinal é só a imaginação de Rupert. Também pensei isso, no começo. Mas a mente do garoto ficou terrivelmente perturbada, e ele andava com um rosto pálido, sem expressão; era impossível olhar para ele sem sentir vontade de chorar.

E haviam os amigos de Rupert. Ah, os amigos.

Peço desculpas por não ter falado sobre eles antes, mas só agora me dei conta de que eles tinham um papel importante na história. E eu não pretendo alterar o que já foi escrito.

Em resumo, quando eu ainda ia ao porão para ver Rupert fazer seus recortes de papel, quas sempre alguns dos amigos de Rupert também estavam lá.

E quando esta terrível doença apareceu no mundo que ele criou, todos os seus amigos que estiveram naquele porão pelo menos uma vez começaram a agir de forma estranha. Se apavoravam com qualquer coisa sem nenhuma razão aparente, se recusavam a sair de seus quartos e não suportavam a luz – sempre queriam ficar no escuro. Também aconteceu comigo, mas por algum motivo não foi tão intenso.

Nunca descobriram qual era a causa.

Durante os dias em que a doença se espalhava, Rupert não parava de me dizer que aquilo acontecera porque ele foi distraído, que havia esquecido de criar algo que era muito importante, e agora precisava se apressar para descobrir o que era antes que todos morressem. Eu não conseguia entender – se aquela doença estava lá só podia ser Rupert quem a criou, e ele deveria ser capaz de eliminá-la quando quisesse. Ainda assim eu sabia que era muito mais do que apenas a imaginação do meu irmãozinho; afetava pessoas fora daquele mundo imaginário.

Eu tentei ajudá-lo a criar o que estava faltando. Dei todas as ideias que pude, mas sempre falhei. E então Carlos, um amigo de Rupert, desapareceu sem deixar nenhum rastro. Pouco tempo depois de eu ficar sabendo da notícia meu irmão entrou no meu quarto e me mostrou um recorte de uma pessoa. Estava um pouco disforme. Eu fiquei um pouco confuso, a princípio, mas ao ouvir o que ele disse fiquei aterrorizado:

“Eu achei que tinha descoberto o que estava faltando. Eu recortei o Carlos. Não funcionou.”

De forma inexplicável, eu compreendi uma coisa terrível: aquele papel, aquele recorte de Carlos não era um recorte – era o próprio Carlos. Minha mente gritou que aquilo era loucura, mas esta mesma mente me convenceu de que era a única explicação para o desaparecimento do garoto.

Tão logo Rupert saiu do quarto, sem dizer mais nada, eu corri para a porta e tranquei-a. Fiquei ali por pelo menos uma semana. No primerio dia minha mãe bateu à porta e perguntou se eu estava bem; eu disse que sim. Mais tarde ela me trouxe comida. Eu fui obrigado a abrir a porta para pegar, e depois tranquei de novo. Mesmo sem sair do meu quarto notei que ela agia normalmente, e meu pai também. Ela me deu comida e também água nos próximos dias, mas eu sempre joguei a comida pela janela, e só me lembro de ter bebido a água uma vez.

De repente, sem nenhum motivo, eu decidi sair daquele quarto e descer ao porão. À medida que me aproximava da porta, eu sentia um pavor crescente, incontrolável; um forte impulso de voltar correndo para o meu quarto. Não achei que fosse conseguir chegar ao porão – cada passo exigia o máximo de esforço. Mas eu consegui.

Rupert ficou feliz ao me ver. Ele disse que havia acabado de criar o Cientista Louco, e este personagem descobrira o antídoto da doença, e queria que eu visse aquilo. O mundo de Rupert estava como antes. O meu pavor sumiu imediatamente, e eu fiquei aliviado. No dia depois disto, ouvi que todos os amigos de Rupert voltaram a agir normalmente.

Meu irmão continuou fazendo seus recortes, mas a cada dia que passava, estes ficavam cada vez mais disformes. As formas realistas de seus recortes foram dando lugar a linhas retas em ângulos esquisitos e formas assimétricas. Ele estava perdendo, aos poucos, seu talento.

Rupert tinha oito anos quando todos seus recortes assumiram formas quase irreconhecíveis.

Uma vez, Rupert me disse que a órbita do planeta que ele criou não era estável, e a qualquer momento ele acabaria sendo puxado pelo segundo sol e seria completamente destruído. Ele também disse que não tinha problema, pois o Cientista Louco estava criando uma máquina que destruiria um dos sóis e estabilizaria o planeta. Mais tarde o cientista cumpriu sua missão.

Neste mesmo dia, meu pai sumiu. Não havia um recorte dele.

Duas semanas depois, Rupert sumiu.

***

Eu me convenci de que tudo isto não era nada além de minha própria imaginação; eu só podia estar louco. Eu cheguei até mesmo a me convencer de que nunca tive um irmão e meu pai havia desaparecido antes mesmo de eu nascer.

Mas não se foge da realidade, ela te persegue. E não importa o quão rápido você seja, ela sempre te alcança. Mesmo tento vivido sua curta vida inteira longe da realidade, Rupert me ensinou isso.

Há poucos dias atrás, e muitos anos depois do desaparecimento do meu irmão, a realidade finalmente voltou até mim. Abri a gaveta de baixo do meu criado-mudo, e lá estava o que eu não queria acreditar que estava lá. Embaixo de alguns livros, um envelope; dentro do envelope, um pedaço de papel recortado.

Uma forma humana deformada, de cor vermelha; eu havia encontrado no dia em que Rupert sumiu – era o único recorte que estava no porão, todos os outros haviam desaparecido. Eu sabia exatamente o que era aquele pedaço de papel recortado:

Rupert.




-Comentários do Autor-
Escrito há mais de uma semana atrás, revisado hoje.

Não sei o que o leitor sentiu ao ler. Mas eu, ao escrever, me senti um tanto quanto perturbado.

13 de janeiro de 2012

Eu quero ser eu

Por que não deixa ser eu, eu?
Por que faz do que não sou, eu?
Por que faz sentir mal, eu, comigo?

Qual problema há em ser eu
Para querer como outra pessoa, eu?

Eu quero ser eu
Eu quero para mim, eu
Deixa ser eu, eu

Não impeça que seja eu, eu
Não faça destruir, eu, eu



-Comentários do Autor-
Isso é mais um experimento com uma construção gramatical estranha do que um exercício de criatividade. Somente dois versos estão com a gramática convencional.

Posso estar enganado, mas acho que não é todo mundo que vai decifrar a gramática estranha.


P.S.: Acabo de fazer uma nova postagem lá no GrammExp, complementando a postagem O Ponto de Ironia.

3 de janeiro de 2012

O Ponto de Ironia

Um autor francês do qual não me lembro o nome e estou com preguiça demais para pesquisar propôs o ponto de ironia, que é um sinal gráfico usado no fim de uma frase para denotar sarcasmo. Esse sinal é uma interrogação invertida – espelhada, não de cabeça pra baixo – e em sobrescrito.

O cartunista brasileiro Ziraldo também propôs um ponto de ironia, que seria uma exclamação com um ponto em cima [ ị ].

O que estes dois "pontos de ironia" têm em comum, além de seu uso? Falta de praticidade. Ambos fazem uso de caracteres inexistentes, exigindo a criação de fontes especiais. O segundo, do Ziraldo, é um pouco melhor – afinal, eu consegui digitá-lo (ou quase), não foi? –, mas mesmo na forma mais prática possível, requer o uso de diacríticos combináveis, que nem sempre são renderizados corretamente.

Outro defeito é a ambiguidade. No caso do ponto de ironia do autor francês, você acaba por entoar a frase, instintivamente, como fosse uma pergunta; e o do Ziraldo pode ser facilmente confundido com o ponto de exclamação.

Então, proponho aqui a minha versão do ponto de ironia:


Trata-se de um caractere bastante comum, mas sem nenhum uso na língua portuguesa. Assim evitam-se tanto o problema da falta de praticidade no uso quanto o da ambiguidade.

Então você já sabe que, quando a minha amiga Yasmin diz:

"Você é um gênio, Caio‹"

Ela só está sendo sarcástica, keke.



P.S.: Meu ponto de ironia também pode ser usado mais ou menos como aspas para marcar somente a palavra – ou trecho – da frase onde o sarcasmo está "concentrado", ou seja, onde a mudança de entoação seria mais notável, assim: "Nossa, Jhonny, você é ›muito inteligente‹ mesmo!", porém o uso desta forma não é tão recomendável.

P.P.S.: Este caractere não é um sinal de menor que, mas uma aspa angular simples.